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O melhor pedaço

Aquela figura me deixava pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor. Era um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo.

Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui bater um papo com o velho Serapião. Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia, pois se encontraram um certo dia quando ambos andavam pelas ruas:

- Nossa amizade começou com um pedaço de pão, ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
- Como vocês se ajudam?
- Ele me vigia quando estou dormindo; Quando alguém chega perto que ele me avisa latindo. Quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.
- Serapião, você tem algum desejo na vida?
- Sim, alguns; Mas no momento tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.

- Só isso? Indaguei.
- É, no momento é só isso que eu desejo.
- Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo. Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei.

Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha e a deu para o Malhado; Em seguida, comeu o pão com os temperos.
Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço. Não contive, perguntei intrigado:
- Por que você deu a salsicha para o Malhado?

- Para o melhor amigo, o melhor pedaço!
Autor: Não identificado

Só elas

Um dia, uma mulher casada estava cortando madeira, perto de um rio, para fazer lenha, quando seu machado escapuliu de suas mãos e caiu no rio. Então suplicou a Deus que lhe ajudasse.

DEUS: - Por que você está chorando?
MULHER: Meu machado caiu no rio.
Deus entrou no rio, de onde trouxe um machado de ouro.
DEUS: - É este o seu machado?
MULHER: - Não, não é esse, Senhor .

Deus entrou novamente no rio e trouxe um machado de prata.
DEUS: - É este o seu machado?
MULHER: - Não, não é esse, Senhor .

Deus voltou ao rio e trouxe um machado de ferro.
DEUS: - É este o seu machado?
MULHER: - Sim, Sim é esse, obrigado meu Deus.
Deus ficou contente com a sinceridade da mulher. Então, deu-lhe os três machados de presente.

Um dia, a mesma mulher e seu marido estavam pescando e ele caiu no rio. A infeliz mulher, então, suplicou a Deus por ajuda.
DEUS: - Por que você está chorando mulher?
MULHER: -Meu marido caiu no rio e afundou.

Deus mergulhou e trouxe o Rodrigo Santoro.
DEUS: - É este o seu marido?
MULHER: - Sim, Sim é esse, obrigado meu Deus.

Deus se enfureceu.
DEUS: - Mulher mentirosa, pensa que podes me enganar?
MULHER: - Perdoe-me, Senhor, foi um mal-entendido. Se eu dissesse que não, o Senhor entraria novamente no rio e me traria o Gianecchini; Depois o meu marido, quando, então, eu dissesse que "sim, é ele", o Senhor mandaria eu ficar com os três. Mas eu sou uma mulher humilde e cumpridora dos mandamentos não poderia cometer trigamia. Foi por isso eu disse 'Sim' para o primeiro que o Senhor trouxe.
Deus, na sua divina sabedoria, achou justo e a perdoou.

Moral da história:
Mulher mente de um jeito que até Deus acredita.

Fábula III

Era uma vez três homens, um ingrato, um conformado e um generoso, que foram visitados por um Gênio da Lâmpada. Espantados, diante do gênio, os três perguntaram:
- Gênio, que bons ventos o trouxeram aqui?
- Rosas! - disse o gênio. E, abrindo seu manto mágico, dele retirou três lindos buquês de rosas e os ofereceu aos visitados, entregando um buquê para cada. Antes de partir, olhou fixamente os três homens e, percebendo um desapontamento por conta da simplicidade de sua oferta, justificou-se:
- Rosas; porque elas são jóias de Deus e deixam a vida mais rica e bela!
Os homens se entreolharam surpresos e, após se despedirem, cada um seguiu seu destino, dando finalidades diferentes ao presente recebido.
O ingrato, maldizendo sua falta de sorte por haver encontrado um gênio e dele recebido flores, jogou-as nas águas de rio próximo.
O conformado, embora entristecido pela singeleza do presente, levou-as para casa e as depositou em um vaso.
O generoso feliz pela oportunidade que recebeu das mãos do Gênio, decidiu repartir seu presente com outros. Foi visto pelo vilarejo distribuindo rosas, de porta em porta, com um detalhe: quanto mais rosas ofertava, mais seu buquê crescia em tamanho, beleza e perfume. Ao final do dia, retornou para casa com uma carruagem repleta de rosas.
No dia seguinte, no mesmo local e instante, os três homens se reencontraram por um mero acaso e, de súbito, ressurgiu o gênio da lâmpada.
- Gênio, que desejas agora? Disse um dos três homens.
- Que as vossas rosas se transformem em jóias, - disse o Gênio - porque quem aceita com alegria um presente da vida, merece receber muitos outros.
O homem generoso, ao retornar à casa, encontrou uma carruagem repleta de jóias extraordinariamente belas, tornando-se um rico comerciante.
Retornando imediatamente para seu lar, o homem conformado encontrou pendurado sobre o jarro onde depositara as rosas, um lindo e valioso colar de pérolas. Sem mais nada a dizer, resignou-se e o deu de presente a sua esposa.
O homem ingrato dirigiu-se ao lugar onde jogara o buquê de rosas e viu, refletindo sobre as águas, um brilho intenso, próprio de jóias valiosas, que foram imediatamente carregadas pela correnteza.
Contos do Alquimista, Paulo Coelho

Fábula II


Um homem esperava para atravessar uma avenida quando um brilho na grama em que pisava chamou sua atenção. Deu uma olhada sem se abaixar e pensou "Deve ser um caco de vidro" e foi embora.
Mais tarde outro homem na mesma situação percebeu o brilho, abaixou-se, pegou a pedra meio suja e viu que era talhada como um lindo diamante. Parecia mesmo um diamante enviando raios luminosos com as cores do arco-íris quando colocado ao sol. O homem pensou: "Puxa, será um diamante? Desse tamanho? Perdido aqui? Como veio parar aqui? Talvez eu devesse levar a um joalheiro pra ver ser é mesmo. Olhava e olhava e de repente disse a si mesmo: -"Que idiota eu sou, imagina se isso é um diamante, só pode ser um vidro talhado em forma de diamante que caiu de algum anel de bijuteria. Porque um cara como eu iria achar um diamante? E se eu levar a um joalheiro ainda vou ter que agüentar a gozação do homem por eu ter achado que podia ser um diamante. Ha...logo eu ia achar um diamante assim... perdido numa grama...logo eu..." E assim pensando jogou de novo a pedra na grama e atravessou a avenida até meio triste pela sua pouca sorte.
No dia seguinte outro homem passando pelo mesmo lugar viu a pedra, atraído pelo seu brilho."Que beleza de pedra" ele pensou! "Parece um diamante, talvez até seja um diamante, mas também pode ser apenas um pedaço de vidro imitando um diamante. O melhor que tenho a fazer é leva-la a um joalheiro e pedir uma avaliação." E colocou a pedra no bolso. Tendo levado-a para avaliação mais tarde descobriu ser um verdadeiro diamante, de muitos quilates e com uma lapidação especial. Era uma pedra muito valiosa ! Realmente especial e o homem ficou muito feliz com a sua boa sorte !
Na nossa vida as vezes encontramos pessoas que são como esse diamante...valiosas! Pena que nem sempre nos damos o tempo para avaliá-las confiando na nossa primeira, e muitas vezes errônea, impressão, ou simplesmente achando que nunca tivemos sorte, então, porque aquela pessoa apareceria justamente pra nós?
Pense nisso! Dê-se uma chance!

Fábula I


Um galinha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:
- Se plantarmos esses grãos, poderemos fazer pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo? Indagou Galinha.
- Eu não. Disse a vaca.
- N Disse a vaca.
- Nem eu. Emendou o pato.
- Eu também não. Falou o porco.
- Eu muito menos. Completou o ganso.
- Então eu mesma planto. Disse a galinha vermelha.
E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.
- Quem vai me ajudar a colher o trigo? Quis saber a galinha.
- Eu não. Disse o pato.
- Não depois de tantos anos de serviço. Exclamou a vaca.
- Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego. Disse o ganso.
- Então eu mesma colho. Falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.
Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
- Quem vai me ajudar a assar o pão? Indagou a galinha vermelha.
- Só se me pagarem hora extra. Falou a vaca.
- Eu não posso por em risco meu auxílio-doença. Emendou o pato.
- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão. Disse o porco.
- Caso só eu ajude, é discriminação. Resmungou o ganso.
- Então eu mesma faço. Exclamou a pequena galinha vermelha.
Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.
De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse:
- Não, eu vou comer os cinco pães sozinha.
- Lucros excessivos! Gritou a vaca.
- Sanguessuga capitalista! Exclamou o pato.
- Eu exijo direitos iguais! Bradou o ganso.
- Vou denunciá-la. Ameaçou o porco.
Eles pintaram faixas e cartazes dizendo 'Injustiça' e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades.
Um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:
- Você não pode ser assim egoísta.
- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor; Defendeu-se a galinha.
- Exatamente. Disse o funcionário do governo. Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser, mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada.
E assim foi feito e todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha, que sorriu e cacarejou:
- Eu estou grata, eu estou grata.
Mas os vizinhos sempre perguntavam por que a galinha, desde então, nunca mais fez mais nada... Nem mesmo um pão.